A Lapa é um lugar maravilhoso onde também se pode encontrar pontos de prostituição.Fui indicada a falar com Letícia e com ela descobri tudo que queria saber. Letícia está nesta profissão, como a própria considera, a 5 anos, desde seus 16 anos, começou em São Paulo capital, veio para Minas Gerais e hoje está no Rio de Janeiro,mas pensa em ir para a Europa.Ela explicou que um travesti não pode ficar muito tempo num mesmo ponto, pois os clientes se enjoam deles, por isso ela mudou tanto de cidade. Diferente das outras, ela paga um apartamento para ela e uma amiga, o que julga melhor porque “as cafetinas tiram muito dinheiro”, no entanto paga R$10,00 do ponto ao dia. Seu sonho é ir para a Europa e, por isso, está juntando dinheiro para ir autônoma, porque se for através de uma cafetina teria que pagar 15 mil Euros. Ela também me explicou que o trafico de prostitutas é maior que o de drogas.
Um fato engraçado foi quando meu pai estava por perto e uma travesti se insinuou pra ele, o chamando para um programa. Avisei Letícia que meu pai estava ali apenas para me acompanhar e ela, preocupada, mandou a outra travesti se afastar e as duas começaram uma discussão, que em pouco tempo terminou. Se travestis brigam na rua, têm que pagar R$1000,00 de multa, por isso não se relata muitas brigas. Logo após esse episódio, dois homens nos chamaram para um programa, Letícia os avisou que eu não era travesti, então eles foram embora muito bravos. Sem entender a situação, ela me explicou que homens procuram travestis por gostarem de homens, mas querem aquelas mais bonitas e que mais se assemelham com mulheres. Os homens também procuram, de acordo com Letícia, as travestis com os pênis bem grandes, travestis com pênis pequenos e que tomam hormônios são evitados,já que os hormônios fazem perder a ereção; os clientes são quase na totalidade passivos.
Na noite, Letícia, às vezes, não ganha nada, porém há aquelas em que ela ganha R$200,00. Entendi que se uma travesti disser que ganhou mais que R$250,00 numa noite é mentira, pois não conseguem mais que 3 a 4 programas cobrando de R$40,00 a R$70,00. Nossa conversa terminou quando tiramos uma foto e um homem chegou e a chamou para um programa.Ela me deu um abraço e se foi.
Com essa experiência aprendi que a vida dessas pessoas humildes e muito humanas não é nada fácil, e que não posso julgar essas vidas que não conheço e compreendo pouco. Temos que aprender a conviver com as opções das pessoas.Muitos falam que travestis são violentos, mas ao contrario, elas são amáveis e bastante educadas.
Foi uma das melhores coisas que já vivenciei, pois aprendi a não julgar nem criticar as pessoas.”
Leticia e Manuella
